Moda & Comunicação

Mais uma vez, a Oi FM e a Tanara, em parceria com a MTV, promovem um evento para falar de moda e tudo o que a envolve. Aí, me refiro à criatividade, à comunicação, à transgressão. E ao business, responsável por garantir o leitinho das crianças, como ressaltou um dos convidados, mas este é um assunto para mais adiante.

No palco, a jornalista Cris Brandão, da Oi FM, conduz um bate-papo delicioso com convidados ilustres: Heloísa Hervé, diretora da Job & Hervé, Ana Bender, coordenadora do curso de moda da Escola de Design Unisinos, e Caito Maia, criador da Chilli Beans. Também participam a blogueira Deisi Remus, do Menina It, fazendo o intercâmbio entre o que rolava na Unisinos, local do encontro e o público online, e a radialista Juli Baldi, da Oi FM, responsável por dar o toque musical que não poderia faltar.

O foco principal do evento é discutir a relação entre moda e criatividade, já que estamos num ambiente sugestivo, em que estudantes de design de moda ocupam a maior parte das cadeiras da plateia.

Para Caito Maia, criatividade está diretamente ligada à comunicação. Por isso, a Chilli Beans está sempre trabalhando em cima de estratégias que façam desta ligação um sucesso. Caito contou “segredos” de sua marca que servem de exemplos não só para outras empresas, como para profissionais das mais diversas áreas.

Para começar, ele tem não medo de arriscar. Sua estratégia é fazer o que tem vontade, por mais maluca que pareça a ideia. Citou, por exemplo, o caso das vending machines, que instalou em pontos estratégicos de São Paulo. “Se você quer saber, não vendi nenhum óculos no metrô ainda, mas minha marca está lá”, afirma. O que ele quer dizer é que nem sempre uma ação criativa gera resultados financeiros, mas gera outros resultados tão importantes quanto, como a venda de uma ideia. E isso é algo essencial no mercado atual. “A gente precisa cutucar o mercado, sem limites nem medo de errar. Empresas grandes que ousam e acreditam em loucuras se dão muito bem”, garante.

E se a Chilli Beans tem uma característica forte é, de fato, a ousadia. Vou citar aqui apenas alguns exemplos mostrados por Caito durante a apresentação:

- A Chilli Beans está patrocinando a montanha-russa do Rock in Rio, e nela será produzido um ensaio para a Playboy. “Muitas mulheres nuas na montanha-russa, olha que maravilha”, comemora Caito.

- No site da Chilli Beans, mostra-se tudo, menos os produtos. A ideia é vender lifestyle, embora a loja online da marca esteja prestes a ser inaugurada.

- Para o lançamento da coleção assinada por Alexandre Herchcovitch, que rolou ano passado, a marca realizou um brunch via internet. “Os jornalistas, que nunca vão a evento algum, estavam todos lá”, comenta.

- A Chilli Beans realiza ações no Big Brother Brasil, mas também investe na blogsfera, o que gera um resultado absurdamente melhor. “Os blogs dão um retorno impressionante. O produto ainda nem chegou às lojas e as pessoas já estão indo atrás dele, querendo tocá-lo, que foi o que aconteceu com os óculos com aro imitando madeira do Herchcovitch”, conta Caito. “Detalhe: no BBB, invisto R$ 4 milhões, enquanto nos blogs, R$ 2 mil por mês. Blogs são essenciais porque, neles, rola verdade. É uma coisa ‘gosto’ e ‘não gosto’.”

- Segundo Caito, eventos como Copa do Mundo e Olimpíada são extremamente importantes para um país. “Basta olhar a história de países que já sediaram os jogos”, reforça. Por isso, ele traçou o seguinte planejamento: até 2014, quando rola a Copa do Mundo no Brasil, a Chilli Beans terá 650 pontos de venda, e até 2016, ano da Olimpíada no país, serão 1.000 pontos de venda. Hoje, a marca possui 320. É um plano ousado? Sim, mas Caito acredita nele de olhos fechados. Por isso que as vending machines, citadas acima, são também tão importantes para a Chilli Beans. Vendendo ou não, sua marca está ali, sendo vista.

- Hoje, a Chilli Beans possui pontos de venda em Portugal e Angola e nos Estados Unidos. A próxima meta é inaugurar lojas na Inglaterra. Para isso, Caito contratou uma agência local que vai pesquisar o mercado de lá e criar estratégias de acordo com o conceito da marca, tudo em parceria com a agência brasileira da Chilli Beans.

- Os designers da Chilli Beans não baseiam-se em tendências. Caito incentiva sua equipe a ir atrás de ideias, mesmo que pareçam absurdas demais, e abre espaço para que elas cheguem ao mercado. Quer exemplos? Um de seus designers adora fliperama e inventou um óculos inspirado no brinquedo. Caito vai lançá-lo. Para sua próxima coleção, Alexandre Herchcovitch criou um óculos com um nariz preto. Caito vai lançá-lo. A marca fechou parceria com Carlinhos Brown. “Até eu entender as ideias dele, foram uns 15 dias”, diverte-se o dono da marca. Sendo o músico um cara bem exótico, já dá para imaginar o que vem por aí, certo? “Não quero lançar moda, mas fazer o que eu gosto”, ressalta. “Não beber das fontes que todo mundo bebe tem feito bem à Chilli Beans.”

- A Chilli Beans aboliu as estações de seu conceito. Hoje, a marca lança coleções semanalmente, com um número reduzido de peças, e o resultado é excelente. “Se uma loja possui um produto de 30 dias atrás, é porque está com problemas”, declara Caito, ao ser questionado sobre o que costuma fazer com o estoque que venha a sobrar.

- Em shoppings, a marca sempre instala um quiosque antes de uma loja, a fim de conhecer o cliente que frequenta aquele local. A opinião do público, relatada pelos vendedores, é sempre acatada. Por isso, Caito conta que, mesmo que venha a abrir uma loja no lugar, o quiosque acaba se mantendo, já que a Chilli Beans procura oferecer exatamente o que o cliente deseja, garantindo o sucesso do negócio. “Design e comercial devem andar juntos. Do contrário, não temos o leitinho das crianças”, enfatiza. Afinal, como Heloísa Hervé afirmaria mais adiante, o que sustenta uma marca é a segunda compra. Portanto, é necessário investir na criação, mas também na fidelização do cliente.

Depois de tudo isso, Caito ainda diz: “não faço nada mais do que o feijão com arroz bem feito”. É que, para ele, a Chilli Beans simplesmente tem coragem de colocar as ideias em prática.

É aí que mora a diferença entre a Chilli Beans e as marcas que têm medo de ousar. Para Heloísa Hervé, não temos que temer nem os clichês. Até eles podem render algo interessante. “O clichê é repertório, e repertório é conhecimento. Não dá para fazer o novo sem ter conhecimento do que já foi feito”, afirma a comunicadora. “Não adianta termos o Google se não sabemos nem o que buscar nele. Tendo repertório, vamos saber o que pesquisar.”

Segundo Heloísa, a criatividade pode ser a união de coisas já existentes, enquanto a inventividade está no ar. “Vivemos uma crise de criatividade por falta de inventividade”, declara. Então, ela cita a campanha do Uno Mille como exemplo de oxigenação de criatividade. A Fiat lançou uma espécie de enquete via web. Nela, o público tinha a oportunidade de dar ideias para o automóvel. “Gente sem a menor noção de realidade”, ressalta Heloísa. Então, uma consumidora sugeriu um carro que pudesse ser entregue todo desmontado, via correio. Diante de tal pedido, a empresa chegou a fabricar o protótipo de um automóvel com peças que se encaixavam. Enfim, a campanha resultou no Novo Uno, sucesso em vendas no país. Saiba um pouco mais da campanha aqui.

Heloísa afirma que, a partir do momento em que acreditamos numa ideia, temos que realizá-la. “Não podemos criar uma campanha para ser vendida, mas porque acreditamos que seja a melhor”, destaca, incentivando os criadores a “viajarem”, mesmo que suas ideias não sejam aceitas de pronto. O importante é mexer com o mercado. “Arrependimento é o sentimento mais inútil que existe. Ficar naquelas de ‘ah, e se eu tivesse feito tal coisa’ não leva a nada.”

Ainda segundo Heloísa, vivemos o milênio da autoestima. “O que a gente pensa e faz é muito importante. Por isso, a indústria está tão perdida”, comenta. “A moda não vem mais de cima para baixo, mas de dentro de cada um. Uma marca pode não vender para todos, mas quem se identifica com ela vai conhecê-la bem.” Sendo assim, a comunicadora ressalta a moda como uma linguagem universal, que está sendo utilizada até mesmo por empresas que não trabalham diretamente com ela. É o caso, por exemplo, da Deca que, em 2009, lançou uma campanha criada pela W/Brasil com a top Renata Kuerten como garota-propaganda. A ideia era enfatizar as sensações que a água provoca, e as fotos ficaram dignas de editoriais de revistas de moda.

Dentro de grandes estratégias, Heloísa antecipa a próxima da Tanara. A marca busca a oxigenação das ideias, através de novos designers. Para isso, vai lançar uma empreitada via internet, através da qual percorrerá universidades à procura desses profissionais. A ação terá o Facebook como via e deverá lançar produtos assinados pelos designers descobertos ainda no próximo semestre. Ou seja, se você é estudante e tem boas ideias, fique ligada na página da Tanara.

Falando em universidade, Ana Bender, que coordena o curso de moda da Unisinos, aproveitou para explicar a função da instituição na vida de seus alunos. “Trabalhamos para que os alunos coloquem em prática suas ideias, sem medo de errar”, afirma. “Sempre digo que dá para aprender a ser criativo. Para isso, basta estar aberto para novos conhecimentos, sem preconceitos. O criativo deve gostar do diferente, sem julgá-lo.”

E com este conselho incrível, embora simples, encerro a cobertura do Tanara: Moda e Comunicação, que segue ainda para outras capitais do Brasil. Para conferir os próximos locais de realização, fique ligada no blog da marca. Caso ele passe pela sua cidade, não deixe de conferir. É um evento gostoso, no qual assuntos sérios são debatidos de forma objetiva e divertida. Além disso, os convidados são extremamente motivadores. Apaixonados por suas profissões, falam com empolgação, mostrando que é possível sermos felizes e realizadas quando fazemos o que realmente desejamos.

A propósito, ao final do encontro, Cris Brandão, da Oi FM, me entrevistou, e uma das perguntas era sobre transgressão. Ela queria saber de mim se era possível transgredir atualmente. Respondi que sim, e a maneira de transgredir hoje é muito simples: basta ser você mesma. É sério. Vivemos um momento em que todos buscam audiência através de personagens criados para si. Podemos ver isso claramente nas redes sociais.

Portanto, para mim, transgredir hoje é assumir quem de fato você é, fugindo do óbvio, mostrando que cada um é cada um e que todos temos qualidades e defeitos dignos de admiração. Enfim, eu acredito que, para ter sucesso, tanto na carreira como na vida pessoal, precisamos ser autênticos, respeitando nossa personalidade. Sem essa de usar uma saia balonê só porque está na moda. Se você gosta de saia balonê, use-a sempre, independente se os outros irão gostar ou não. E aí, não me refiro só à moda, mas a tudo na vida, desde a roupa que você vai usar até a profissão que vai escolher.

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Cris Brandão (Oi FM), Heloísa Hervé (Job & Hervé), Caito Maia (Chilli Beans) e Ana Bender (Moda/Unisinos): debate gostoso sobre moda e tudo o que a envolve

2 Responses to Moda & Comunicação

  1. Lidy Araujo » Blog Archive » Tweetando para Chilli Beans Says:

    [...] Nesta semana, estou dando dicas de moda lá no Twitter da Chilli Beans. Luxo, né? A parceria com a marca surgiu há alguns dias, quando conheci Caito Maia e Luciane Crippa, no evento organizado pela Tanara e sobre o qual contei aqui. [...]

  2. Lidy Araujo » Blog Archive » Chilli in Rio Says:

    [...] os corajosos) durante o Rock in Rio. É uma montanha russa, sobre a qual eu já havia contado neste post. Segundo Caito Maia, dono da marca, até um ensaio para a Playboy seria realizado nela. Aguardando [...]

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